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DENÚNCIA: violência e silêncio em Tefé-AM

Impedido de acompanhar testemunhas e vítimas do crime de Porto Vale, Pe. Firmino Cachada CSSp usa sua conta no Facebook para comunicar a verdadeira história da destruição das casas da comunidade ribeirinha de Porto Vale, em Tefé, há três semanas atrás.

Aqui em Tefé é a lei do silêncio! Esperemos que não seja a lei da impunidade

Diante do silêncio sobre o caso na cidade de Tefé, onde paira um ar de cooperativismo entre as autoridades e os envolvido, o pároco da Missão disse que a Polícia Militar e o oficial de justiça assistiram a barbárie e nada fizeram para impedir. Por volta das 07h da manhã do dia 23 de agosto, um grupo de policias e o oficial de justiça chegaram na comunidade, acompanhado pelo pretenso dono do terreno e seus familiares, que logo começaram a destruir uma das casas, começando a desfazer as paredes. Quando estavam destruindo o telhado de barro, com telhas fabricadas na histórica olaria da Missão, uma viga se soltou e o telhado veio abaixo atingindo gravemente um dos destruidores. O acidente foi tão grave, que lhe enviaram para Manaus.

A própria polícia militar participou na rega das casas com gasolina, já que foi um policial militar que foi buscar a gasolina do transporte escolar, ato esse, ainda por cima, acompanhado de violência. Refira-se que a polícia militar até escudos levou para aquela pobre comunidade, como se fossem para um combate de rua ou com criminosos, mas àquela hora quase só encontraram mulheres e crianças!

Padre Firmino denuncia que foi o pretenso dono do terreno quem mandou o próprio filho, que é policial militar, ir a casa do seu caseiro, que também é catraieiro, buscar gasolina para incendiar as casas. Ao retornar com um galão de 5 litros de gasolina destinada ao transporte escolar, pai e filho atearam fogo nas casas. O filho do catraieiro, que também estava no local, tentou impedir, mas foi agredido. O resultado viu-se nas fotos publicadas pelo padre no Facebook. Um monte de cacos de telhas da Missão e cinzas. Foi tudo o que ficou. Até cadernos escolares das crianças foram queimados!

Depois de terem começado as casas a arder, continua Padre Firmino, alguns policiais militares pegaram o ferido e levaram-no para a lancha, onde já estava também o jovem filho do presidente da comunidade, que tinha sido preso por causa de querer filmar a cena. Já depois de algemado, tinha sido agredido pelo policial militar filho do tal pretenso dono do terreno. Este entrou também na lancha e já não voltou de Tefé para ver o resultado final da sua obra. Mas voltaram ainda os policiais que tinham ido levar o ferido e o jovem preso a Tefé.

Se isto não foi um ato crimino. então não sei  o que é crime!

Os acontecimentos começaram por volta das 7 da manhã e os policiais e oficial de justiça só se retiraram da comunidade por volta do meio dia. 

Créditos: Firmino Cachada

Lucas Duarte

Sou natural da zona oeste de São Paulo-SP. Entrei na família espiritana em 2008. Atualmente sou agente da Pastoral Carcerária (Região Belém - ArquiSP) e assessor da Juventude Espiritana Missionária (JEM).

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