Espiritualidade

velas_csspComo espiritanos, as raízes da nossa espiritualidade estão na Boa Nova anunciada por Jesus Cristo, e também na rica herança dos nossos fundadores Cláudio Poullart des Places e Francisco Libermann. No fundo do carisma e da espiritualidade espiritana, somos chamados a viver uma dupla realidade: uma profunda comunhão com Deus e servir o povo onde vivemos, particularmente os pobres. Reconhecemos que a nossa espiritualidade e carisma estão fundamentados nas palavras de Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu. Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres…” (Lc 4.18). Olhando estas palavras podemos dividi-las em três distintos elementos: porque “O Espírito do Senhor está sobre mim,” é Ele que “Enviou-me,” para “Anunciar a Boa Nova aos pobres”. Portanto, podemos aprofundar estas palavras.

“O Espírito do Senhor está sobre mim…”

espirito_santo_2[1]O Espiritano encontra a sua força em Deus, por isso tem que se manter unido à vontade de Deus na sua vida. Se não possuir na vida um lugar para Deus, se não é o amor a Deus que alimenta o amor do missionário pelo povo, o missionário acaba tornando-se como “sino ruidoso ou como símbolo estridente” ( 1Cor 13.1). É claro que como missionários queremos realizar um trabalho eficiente e efetivo. Para explicar este duplo desejo de manter-se unido à Deus e fazer um trabalho missionário, Francisco Libermann criou a noção de “união prática” que expressa a ideia de entregar-se totalmente, aceitando a graça de Deus e agindo apenas sob sua inspiração. Para Libermann, seus missionários tinham que aprender em qualquer situação viver com Deus, o que é essencialmente, uma questão de confiar “na fidelidade à graça divina, a qual leva a uma união com Deus no meio e dentro da nossa própria atividade”. Assim, os nossos fundadores ensinavam que sem uma vida íntima e pessoal com Deus é impossível sustentar uma vida apostólica e missionária. Na espiritualidade espiritana somos chamados a experimentar Deus tanto na intimidade da oração individual, quanto na liturgia comunitária, nas atividades pastorais no meio do povo onde trabalhamos e também em nossa vida comunitária.

De fato, para Libermann, o espiritano é um contemplativo na ação. Temos muitos exemplos de Espiritanos que viveram e continuam levando a vida orientada para os pobres, e no meio de tanta pobreza, miséria e violência, trabalhando de forma simples e prática para diminuir os sofrimentos do povo. Assim, a nossa experiência com os mais pobres, nos leva a uma vida de oração e contemplação inserida no mundo deles. Como o papa Gregório Magno nos fala na sua Regra Pastoral: “o bom pastor deve estar radicado na contemplação… só assim lhe será possível acolher de tal modo, no seu íntimo, as necessidades dos outros, que estas se tornem suas”.

“Enviou-me…”

leve penaA disponibilidade tem sido uma característica desde o início da nossa espiritualidade e carisma. Assim, os primeiros espiritanos de Cláudio Poullart des Places foram para “os lugares mais abandonados, as tarefas que ninguém queria e, por conseqüência, os postos mais difíceis de preencher”. Na prática, disponibilidade para a missão equivale a docilidade ao Espírito Santo, e Libermann cativa estas idéias muita bem numa oração:

Ó Espírito Divino, perante Vós quero ser leve pena,
de modo que o Vosso sopro me possa levar aonde quiser,
sem que eu Lhe oponha a mínima resistência.

Mais ainda Libermann entendeu que, “A nossa missão é Sua”, referindo-se à missão do próprio Cristo. Assim ele teve consciência de que se a Congregação tem algum valor, é porque quem nos envia em missão é Ele. Portanto, ser Espiritano é ser enviado pelo Dono da missão. Isso é mais uma convicção que está na base da nossa espiritualidade. Às vezes, para o Espiritano, esta missão acontece no meio de duras circunstâncias ou numa experiência de deslocação geográfica. Nesta missão o Espírito Santo que nos leva a acompanhar a quem somos enviados e ao mesmo tempo um certo auto-esvaziamento, para nos identificarmos com eles. Nesta mesma linha Libermann, sendo um homem prático, recomendava aos seus missionários que “se fizesse Negro com os Negros, procurando formá-los de maneira adequada e não à maneira europeia, antes deixando neles aquilo que deles é próprio”.

“A Anunciar a Boa Nova Aos Pobres…”

Serviço ao evangelho é uma dimensão essencial da vocação Espiritana. Recordamos as palavras de Jesus “eu Estou no meio de vós como Aquele que serve”(Lc 22,27). Como missionários estamos ao serviço do anúncio da Boa Nova de Jesus e do Reino em todos os lugares onde somos enviados. Dedicamos as nossas vidas à proclamação do evangelho de Jesus Cristo em paróquias novas, áreas de pastorais específicas e lugares de primeira evangelização onde pessoas não ouviram ainda a mensagem evangélica ou mal ouviram. Para muitos espiritanos este testemunho acontece em países distantes da sua pátria.

Também, lembramos que a pobreza real levou os nossos fundadores a procurar respostas concretas. Cláudio Poullart des Places no início do século XVIII, quis ajudar os estudantes pobres e os limpas-chaminés, e Francisco Libermann no século XIX, às populações da raça negra. Também dirigimo-nos aos pobres, àqueles cujas necessidades são maiores, para aliviar a pobreza por meio de obras de educação e treinamento; em projetos práticos de auto-ajuda e organizações humanitárias que promovem a dignidade e desenvolvimento humano. Como Libermann escreveu aos membros da congregação “prestarão aos pobres todo o serviço possível, mesmo se duro e desagradável, e farão isso com amabilidade e do fundo do coração”. E mais ainda Libermann afirmou, que seus missionários fossem “os advogados e os defensores dos fracos e dos pequenos, contra todos aqueles que os oprimem”.

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Se esforçam para estar em toda parte “advogados e os defensores dos fracos e dos pequenos”, o tempo inteiro e toda a vida. Padre Patrick Clarck, CSSp

Portanto, a nossa missão espiritana em favor da humanidade não seria completa sem a “libertação integral” do povo onde estamos, e sem a ação pela Justiça e pela Paz, e sem a nossa participação no desenvolvimento humano, social e comunitário. Entramos na luta contra a pobreza, fome, Aids, na promoção de reconciliação e paz, na cura de feridas em situações de pós-guerra, na defesa de povos indígenas, etc. Assim a nossa espiritualidade espiritana nos leva a uma profunda e prática solidariedade evangélica com as populações entre as quais vivemos, particularmente os mais pobres, os fracos, e os excluídos deste mundo.

A Espiritualidade Espiritana unida com Maria, Mãe de Jesus

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Virgem Negra de Paris

Você sabia que o nome completo da congregação dos Espiritanos é: Congregação do Espírito Santo sob a Proteção do Imaculado Coração de Maria?

Podemos perguntar qual é a ligação com Maria? Para explicar esta ligação seria bom imaginar uma foto-montagem em vários planos. Na parte de trás, vemos a comunidade de Jerusalém, em oração com Maria, todos esperando o dom do Espírito Santo (AT 1.14). Na parte de frente, estão doze seminaristas e Cláudio Poullart des Places, reunidos no domingo de Pentecostes 1703 ajoelhados diante da imagem de Nossa Senhora do Livramento ou Bom Sucesso (a chamada “Virgem Negra de Paris”, Notre Dame de la Bonne Délivrance) fundaram o Seminário do Espírito Santo. Nestes dois relatos, Nossa Senhora tem um destaque especial. É ela que orienta os corações de todos ao Espírito Santo, que inspira à oração, conduz à ação e unifica a comunidade.

A espiritualidade espiritana vê-se a si mesma neste elo que o Novo Testamento estabelece entre Maria e o Espírito Santo. Francisco Libermann continuou neste caminho aberto por Poullart des Places, e explica para nós como Maria é a inspiradora da vida missionária quando ele falou que o Coração de Maria “é um modelo perfeito de fidelidade a todas as santas inspirações do Espírito Divino, tal como da prática interior das virtudes próprias da Vida Religiosa Apostólica”. O que Libermann propõe é que o exemplo de Maria seja seguido pelos Espiritanos.

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