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I Encontro dos Povos em luta pela Demarcação e Regularização fundiária

Um dos pilares que abrange a espiritualidade da nossa família espiritana é o cuidado para com os menos favorecidos, que inclui a responsabilidade para que tenham suas necessidades atendidas, pelo menos quanto à moradia, alimentação e seguridade social. A nossa família chama isso de “Justiça, paz e integridade da criação”.

Podemos sintetizar esta atitude no desejo de nosso fundador; cada espiritano seja um “advogado dos pobres” (Francisco Libermann). E assim, também procuramos estar em sintonia e apoio à causa dos povos indígenas.

Nos dias 05 a 07 de julho, no município de Sena Madureira, Estado do Acre, aconteceu o I Encontro dos Povos em luta pela Demarcação e Regularização fundiária, com a participação dos povos indígenas: Apolima-Arara, Apurinã, Jaminawa, Jamamadi, Huni Kui, Madiha , Manchineri, Nawa, e Nukini. Somaram-se aproximadamente 110 pessoas, entre homens, mulheres e crianças.

Os assessores do encontro foram os indígenas Babau (povo Tupinambá de Olivença, Estado da Bahia) e Francisco Siqueira (povo Apolima-Arara, Estado do Acre) contando também com a parceria do Conselho Indigenista Missionário-CIMI.

O Encontro dos Povos em luta pela Demarcação e Regularização fundiária foi totalmente desejado e organizado pelas próprias lideranças indígenas que vem requerendo o direito pelo reconhecimento de seus territórios tradicionais e a revisão de limites para algumas terras indígenas, conforme é garantido pela Constituição Federal de 1988 e a Convenção 169 da Organização Internacional do trabalho – OIT.

 Temos que mostrar que essas terras são nossas. Juntos temos esse poder de reconquista da terra que sempre foi nossa, pois Deus nos deu. Estamos juntos e somos uma só família – Nilson Manchinere.

O encontro foi fortalecido pela união desses povos que, com seus parcos recursos, somaram energia, fé e esperança no Deus da Vida para traçar estratégias pautadas na legalidade que garantam a sobrevivência de seus povos. Diversas falas exaltaram a fé, a confiança em Deus, que os fortalecerá nesta reconquista da terra tradicional.

A Bíblia não pode ser instrumento de invasão das aldeias, pelo contrário, na Bíblia cita Abraão que vai em busca da terra prometida; as nossas terras são as terras prometidas. A Bíblia deve servir para reconquistar a terra. – Babau

Chegando ao encerramento do seminário, todos se sentiam fortalecidos após três dias de união, de planejamento e de trocas de experiências. O retorno para suas casas é longo. Alguns levarão até dois ou três dias para chegar em suas aldeias, mas chegarão cheios de esperança, pois assim como Abraão conquistou a terra prometida, eles também “re-conquistarão” a terra que foram de seus ancestrais! – (Gen. 12:1/12:7 e Gen 13:14-15ss).

(André Machado)

Lucas Duarte

Sou natural da zona oeste de São Paulo-SP. Entrei na família espiritana em 2008. Atualmente sou agente da Pastoral Carcerária (Região Belém - ArquiSP) e assessor da Juventude Espiritana Missionária (JEM).

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