Notícias

Morre o cardeal da periferia

A Arquidiocese de São Paulo comunicou o falecimento do Cardeal Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, na última quarta-feira, 14. A morte de um dos líderes mais importantes do século XX é ocasião de pesar, mas também de louvor e ação de graças. Dom Paulo, nos anos que esteve na coordenação da então segunda maior arquidiocese do mundo, entre 1970 a 1998, contou com o serviço dos missionários espiritanos e pode ordenar alguns diáconos e presbíteros espiritanos. Naquele tempo, o novo arcebispo formou uma equipe de bispos auxiliares de extraordinário talento e espiritualidade e conseguiu entusiasmar os padres, religiosas e leigos através de um processo de planejamento participativo que visava priorizar as periferias mais pobres da metrópole.

Ordenação presbiteral de Haroldo Alves, em 02/02/1997, na Paróquia São João Batista (Vila Mangalot), presidida pelo Cardeal Arns.
Ordenação presbiteral de Haroldo Alves, em 02/02/1997, na Paróquia São João Batista (Vila Mangalot), presidida pelo Cardeal Arns.

A chegada de Dom Paulo coincidiu também com a chegada e fortalecimento do trabalho missionário dos espiritanos em São Paulo, de modo especial na região Episcopal Belém e Região Episcopal Lapa. Foi sempre amigo e grande incentivador de nosso trabalho. Raramente se encontra numa mesma pessoa tantas qualidades diversas: coragem e atitude profética no meio de uma ditadura militar, espiritualidade, simplicidade, capacidade de organização e de delegação.

Dom Paulo durante a celebração ecumênica de Vladimir Herzog (Foto: Acervo da Arquidiocese de São Paulo)

Dom Paulo se encaixa dentro do conceito de liderança transformadora do famoso autor McGregor Byrns, um líder que inspirava os seus seguidores a fazer grandes sacrifícios a partir dos valores mais nobres do ser humano. Um tipo de liderança que faz falta em nossa sociedade hoje. Ele inspirou uma geração de padres cujo ideal foi de trabalhar na periferia onde havia mais necessidade. Dom Paulo foi profeta, mas também pai e mãe. Foi um homem, não de visão paroquial, mas de mundo.

Como bispo, seu lema era: “de esperança em esperança”. Testemunho que Dom Paulo viveu durante seus 95 anos. Por isso, nós, cristãos e pessoas desejosas de outro mundo possível, não podemos esquecer a memória deste grande homem que encarnou a opção pelos pobres e nos deixou este importante legado. Dom Paulo Evaristo Arns, presente!

(com a colaboração de Jorge Boran CSSp)

Lucas Duarte

Sou natural da zona oeste de São Paulo-SP. Entrei na família espiritana em 2008. Atualmente sou agente da Pastoral Carcerária (Região Belém - ArquiSP) e assessor da Juventude Espiritana Missionária (JEM).

Comentar

Clique para comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *