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Monsenhor Altevir visita Vilhena

Nomeado Bispo no Pará pelo Papa Francisco, em outubro, padre Altevir tem dedicado o tempo que antecede sua ordenação e posse, marcadas para acontecer em 16 de dezembro, na Diocese de Cametá, para celebrar seus 25 anos de sacerdócio junto do povo que o acompanhou durante sua vida presbiteral. No último fim de semana, esteve em Vilhena-RO, onde iniciou seu ministério. A impressa local fez um entrevista com ele, confira.

Aos 55 anos e prestes a assumir uma Diocese no Estado do Pará, José Altevir da Silva, que nasceu na cidade de Guajará (AM) e que iniciou seu sacerdócio em Vilhena, 25 anos atrás, voltou esta semana à maior cidade do Cone Sul, agora já nomeado bispo pelo Papa Francisco, para relembrar sua vivência como pároco e para se despedir de amigos e fieis. Padre Altevir, que renovou seus votos em uma celebração na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, falou com exclusividade ao FOLHA DO SUL ON LINE,  relembrou momento vividos em Vilhena e falou da nova missão que inicia no dia 16 de dezembro à frente da Diocese de Cametá, no Pará.

Com formação em Teologia, Filosofia, Psicologia, Missiologia e falando três línguas, Padre Altevir esteve em missões no Timor Leste e morou por dois anos na Nigéria. Acredita que sua vivência com outras culturas e realidades diversas o ajudarão como Bispo. “O que eu espero é fazer este aprendizado e poder contribuir de certa forma com toda a experiência que eu já tive, me deparando com realidades diversas. A gente vai aprendendo a ter uma visão de mundo diferenciada, muito mais ampla. Eu vejo uma missão cheia de esperança, com possibilidade de aprendizado”, disse o Bispo, que tem como lema: “Escuta, aprende e anuncia – com alegria, esperança e caridade”.

 

Relembrando momentos que viveu em Vilhena, o religioso citou três experiências que o marcaram. Uma dessas experiências que o agora Bispo se recorda, era a proximidade mantida com os meios de comunicação,  inclusive com uma celebração ecumênica anual pelo dia da comunicação. “Fazíamos anualmente esta celebração no Dia Nacional da Comunicação, quando todos participavam, cada um com o seu veículo de imprensa,trazendo a história, celebrando, confraternizando, fazendo as pazes entre os comunicadores”, relembra.

Outra experiência marcante foi proporcionada em encontros promovidos pela Pastoral da Família. “Às reuniões juntavam pessoas das mais diversas classes sociais. Era um trabalho em que as diferenças sociais desapareciam e a família, como escola do amor, tinha o mesmo significado, independente das condições sociais de cada um”, conta o Padre, com saudosismo.

Altevir se recorda também como era forte sua ligação com a área rural. Ele foi uma das pessoas que lutaram pela fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vilhena. Fator, na análise do religioso, primordial para manter as famílias no campo. “Era um êxodo rural muito grande naquela época, nós fizemos um trabalho de conscientização do valor da terra, de forma que muitos que naquela época pensavam em vir para a cidade, continuam ainda hoje no campo. Visitei alguns deles agora, nesta minha vinda para cá, e estão bem, felizes”, contou o Padre, antes de afirmar: “Foi uma experiência riquíssima, foi muito marcante e aprendi muito com o povo daqui, porque estava iniciando meu ministério”.

O Bispo falou também sobre política e disse que é papel da igreja atuar na conscientização dos fiéis para o bem estar da comunidade.  Ele relembrou um trabalho desenvolvido com candidatos quando era pároco em Vilhena. “Da política ninguém pode escapar, todos os gestos que fazemos , as atitudes que tomamos, são gestos e atitudes políticas. Naquela época, fiz um trabalho bom nessa questão, atuando com a Pastoral Fé e Política, que atua na conscientização, e traz um olhar da política à luz do Evangelho. Lembro que fizemos um questionário e entregamos a todos os candidatos. Eles foram respondendo as perguntas, e naturalmente eles mesmos foram saindo, se excluindo. Aqueles que assumiam a proposta a partir do Evangelho se aproximaram, mas sem nenhuma promessa de que iríamos votar em fulano ou sicrano, simplesmente para ajudar a sistematizar a proposta de trabalho deles para o município de Vilhena”, explicou, antes de concluir: “Mas sempre deixei claro que a igreja não seria palanque”.

Sobre a situação atual, Padre Altevir disse que, hoje, vê a política partidária cada vez mais desacreditada, em função de uma corrupção estruturada que está devorando o país. Mas, alertou que a população não pode deixar de acreditar na mudança. “Nós devemos ser os últimos a perder a esperança, podem até roubar nossos direitos, mas que ninguém conseguirá roubar a nossa esperança. Não é porque a situação do País está politicamente caótica que vamos perder o sentido da vida; que vamos desacreditar da luta por um mundo mais justo; que vamos abandonar a família, deixar seguir sem critério, sem rumo, porque a culpa é dos políticos. Não. Nós devemos lutar para revertermos este quadro; descobrirmos um caminho por onde começar; e o começo é não perder a esperança de dias melhores”, profetizou.

Sobre a urgência dos dias atuais promovida pela velocidade das informações e a substituição das interações face a face pelas redes sociais, o religioso, embora reconheça a importância da tecnologia de informação e comunicação, faz um alerta: “As redes sociais, esse movimento rápido que está acontecendo dentro da cultura midiática, vem deixando marcas profundas no ser humano, está causando uma insensibilidade cada vez maior. Um voltar para si mesmo, obter aquilo que se deseja, isso leva a um consumismo, a um individualismo tão grande, e pode levar também à indiferença, até mesmo daquele que está compartilhando a vida contigo”, disse, exemplificando: “Hoje, é comum você saber menos de pessoas que estão ao seu lado, próximas a você, do que de outras que estão a um mundo de distância, mas com quem você conversa diariamente através de uma das tantas formas de comunicação existentes hoje”.

Altevir disse mais: “É muito mais fácil e cômodo se relacionar com uma máquina que não sente cheiro, é muito mais fácil se relacionar com um computador que não vai te exigir uma mudança de postura e de atitude, do que com o ser humano ao qual você precisa se adaptar a cada dia, que você não conhece e que tem reações diversas. Em resumo: que não está configurado para dar a resposta que você quer ouvir”.

Finalizando o assunto, o Bispo disse que o tempo presente vivencia uma evolução muito grande na forma de se comunicar. É tudo muito rápido, muito imediato. “Preparam as máquinas para serem rápidas na comunicação, mas não prepararam o ser humano para ser realmente este comunicador. E o ser humano é o principal envolvido a sofrer as conseqüências dessa comunicação sem o devido cuidado”, pontuou.

A Diocese de Cametá (AM) responde por dez municípios, conta com 20 padres, 32 freiras, e 17 diáconos; além de dois seminários.

Via Folha do Sul

Lucas Duarte

Sou natural da zona oeste de São Paulo-SP. Entrei na família espiritana em 2008. Atualmente sou agente da Pastoral Carcerária (Região Belém - ArquiSP) e assessor da Juventude Espiritana Missionária (JEM).

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