Mensagem do Provincial

Pentecostes e a Missão profética da Igreja

A MISSÃO antecede a IGREJA. A Igreja é filha da missão. Por isso não é a Igreja que tem uma missão, mas, a missão que tem uma Igreja. Roguemos a Deus nesta festa de Pentecostes para que a Igreja nunca abandone sua mãe. Mas seja sempre uma Igreja toda ministerial, que seja de fato uma Igreja “em saída”, uma Igreja toda missionária e que valorize sempre a vida e missão da comunidade.

O Espírito Santo não veio sobre indivíduos, mas sobre a Comunidade cristã reunida. Ele não deseja destacar pessoas, mas sim a Comunidade, que é o Corpo Místico de Cristo e o principal instrumento de construção do Reino de Deus no mundo. Seria muito bom que refletíssemos nesta Festa de Pentecostes sobre a missão como povo de Deus, como religiosos, como missionários e missionárias, a ponto de saímos fortalecidos para proclamar aos cinco continentes, que a Salvação é para todos, a exemplo do que ocorreu dia de Pentecostes. Não “reservar” a salvação apenas para o “meu mundo”, para minha paróquia, mas acordar para vida missionária e vislumbrar horizontes maiores.

Para os antigos judeus, Pentecostes era o aniversário da proclamação da lei no monte Sinai: esta proclamação constituiu, por assim dizer, Israel como povo, deu-lhe uma “constituição”. De modo semelhante, quando os apóstolos proclamam no dia de Pentecostes a salvação em Jesus Cristo, é constituído o novo povo de Deus. Não só Israel, mas todos os povos são agora alcançados, cada um em sua própria língua. Por isso mesmo não se pode tentar frear a dinâmica do Espírito, devemos olhar a missão num âmbito maior e nós como espiritanos trazemos em nossa história congregacional este aspecto bonito, de ir onde o Espírito Santo nos enviar. Será que estamos mesmo dispostos para ação do Espírito? Meus irmãos, para Deus, missionários e missionárias são como sementes, que devemos florir no terreno onde por Ele formos lançados.

A Igreja Profética tem vários rostos, outrora na América Latina, foi muito visível e inspirador este rosto, hoje, em quase todas as instâncias na Igreja se fala de profecia; na CRB, nas Dioceses quando se fala de missão, na CNBB, enfim, em muitos espaços. Me parece que quanto mais se fala sobre algo, é porque sentimos a sua falta. É assim que acontece com nossos amigos quando estão ausentes, falamos muito sobre eles, o que nem sempre acontece, quando os mesmos se fazem presentes em nossa vida.

Rezemos nesta Festa de Pentecostes para que a profecia não desapareça, para que a Igreja abrace sua missão profética.

Outros rostos da profecia poderão ser revelados no âmbito da pessoa, comunidade, sociedade. Sobre esta dimensão, a carta de Pentecoste 2017 do Superior Geral, John Fogarty, é de uma profundidade ímpar. Especialmente quando menciona disponibilidade como palavra que identifica nossa tradição espiritana. Ele diz: “”.

Por isso meus irmãos, acolher bem, também é evangelizar e ser evangelizado. Abra sempre mais a porta do teu coração, a porta da tua casa para acolher seu irmão. Não dificulte este processo, não invente dificuldade quando o assunto é acolher. A disponibilidade deve continuar sendo um termo que recorda a tradição de nossa Congregação.

Na carta do Pe. John Fogarty, relembra que fazia parte da fórmula “da Consagração do missionário espiritano antes de partir para missão: ofereço-me e entrego-me inteiramente Vós, por toda minha vida para salvação e santificação das almas…” Antes era salvar almas, hoje é “salvar Deus”. Salvar Deus em nossas relações, salvar Deus na missão, salvar Deus em muitos lugares, países, corações que muitos missionários já não têm mais a paixão, a coragem de ir anunciar sua Palavra Revelada, Jesus Cristo, luz do mundo.

Hoje dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre a Igreja, reunida no mesmo lugar. Enfim, a comunicação do amor tomou conta da Igreja nascente e se espalhou pelos confins da terra, atravessando os tempos com a força do testemunho apostólico. Que este mesmo Espírito ilumine os leigos, os religiosos e religiosas, os presbíteros, enfim, todos os missionários e missionárias de modo que possamos falar uma linguagem que atinja a todos os povos, pois o verdadeiro milagre das línguas não consiste em dizer “aleluia” em todas as línguas, mas em falar com clareza para todos os povos, raças e classes. Vinde Espírito Santo e renovai a face da terra!

Viva o Espírito Santo em nossos corações!

 

José Altevir

José Altevir

Sou natural de Guajará - AM. Fui ordenado padre espiritano em 06/12/1992, em Cruzeiro do Sul - AC. Trabalhei em Vilhena - RO por seis anos. Em São Paulo, fui formador por mais nove anos. Trabalhei também como assessor da Comissão Missionária e secretário do COMINA, na CNBB, em Brasília. Atualmente, estou como Provincial dos espiritanos no Brasil.

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