Mensagem do Provincial Notícias

Reflexão profunda

Passei por esta casa virtual (rede social), para cumprimentar você e partilhar alguns pensamentos sobre a conjuntura e realidade atual. Continuo no novo trabalho que me corresponde, podem acompanhar pelo nosso site: www.espiritanosbrasil.org.br.

Hoje estou começando mais uma visita canônica CSSp – desta vez na Arquidiocese de Palmas – em Rio Sono – Tocantins (que está no interior, mais de 3 horas de carro depois de Palmas, entre asfalto, estradas de chão e cascalho…).

Partilho contigo o que estou refletindo a partir do que tenho visto, nas várias viagens que tenho feito, ao regressar ao nosso país, depois de mais de uma década morando fora do Brasil, há muitos temas sobre os quais conversar e, ao mesmo tempo, há atitudes preocupantes:

Crises identificáveis:    👇🏻

Econômica… Humana… Espiritual… Política… Social… Familiar… MCS… Estrutural… Também crise de valores…

Há emoções perceptíveis que evocam:

Ódio… Rancor… Preconceito… Indiferença… Relativismo… Posturas muito vingativas e punitivas e quase nada de iniciativa restaurativa… Reconciliadora e conciliativa… Requinte de Desconfiança… Corrupção… Egoísmo… Violências… Violência familiar e intrafamiliar-doméstica… Aumento do consumo relativista de substâncias tóxicas, álcool, maconha, drogas… Há Violência sexual, às pessoas vulneráveis (infante-adultas) … Exacerbada Vigilância… Medo… Controles… Aumento de muros e cercas elétricas… Inautenticidade… Falta de encontro sincero com respeito e escuta mútua… Problemas de relacionamento… Crescente analfabetismo emocional…

Há Provocações que geram:

Divisão… Nervos à flor da pele… contradições… Infidelidades… Terrorismo do medo, pânico, pavor… Encontrei também a ditadura do Silêncio dos “bons”… O silêncio dos mais conscientes, ou, hipoteticamente, instruídos…

Também entre temas sérios há outros recreativos-distrativos:   

Vitrine do cenário político-partidário… Eleições… Copa… Brasuela (Venezuela refugiada em Brasil) … Aumento do número de presos, prisões (por que insistem no que não tem dado certo?)… Indígenas desprotegidos… líderes perseguidos, mortos, refugiados, ameaçados… Êxodo rural crescente… Inchaço urbano… Migração e imigração… Sem-Terra (agora sem-chão) Sem-Teto (agora sem-ar) Mundo dos 100-Sem… Leis trabalhistas ameaçadas… Justiça-Usura-Leilão… Impaciência… Intolerância… Tijoladas virtuais linguísticas sem ética nem trava-línguas… Famílias em desestruturação… Geração fastfood… Superficialidade-vida light… Geração do fone de ouvido… Geração do sentir… Sentimento… Eu “sinto”… Eu gosto… Distante do eu “penso”… Virtualidade falante e silêncio físico…

Nunca se viu tanto silêncio no meio da multidão. Nunca se viu tanta gente aglomerada e tão longe. O Celular como objeto de necessidade básica e direito quase constitucional, onde a pior coisa que pode acontecer é ficar desconectado, perder o sinal, ou a demora de sinal, e a demora é classificada já nos primeiros e eternos trinta ou 40  segundos de espera, ou quando um arquivo, ou vídeo não descarrega e há lugares com torres verdes (árvores onde se sobe para procurar sinal), ou comunidades de portas de instituições ou casas roubando um pouco de WIFI para sentir a inclusão digital e ser parte dos desamarrados punhos de redes sociais.

O celular:

A vida gira em torno e a partir dele…

Vi também a Lava-jato:

Que lava e leva:

Lava-memória… Lava-5 sentidos… Leva-sinceridade… Leva-vergonha…

Vi também sinais de que ninguém é superior à justiça e que ela é para todos: civis, religiosos, autoridades de todas as instâncias e escalões, juízes, defensores, até mesmo os representantes e defensores da lei e da norma.

Esse é o princípio… E será o critério real?

Vi a Igreja entre a abertura e o medo de Francisco, o avanço e a desconfiança, e podia acelerar ainda um pouco mais, e responder às necessidades também regionais específicas.

Vejo também amor à Igreja, até inocente, sem forças suficiente para chegar à Comunidade de fé Jesuânica, também menos vocações à consagração perpétua ou ministerial e mais homens e mulheres de fé esperando um passo e pescarias com redes mais profundas.

É importante ver tudo isso, refletir, acompanhar, investir em formação, educação, oração (até com um ritmo de encontro marcado para rezar, deixando o Espírito soprar como quiser e para a direção que quiser), é preciso organização, planejamento, acompanhamento até personalizado, caminhar sobre luzes e pistas sem ser contaminado pelo pessimismo depressivo anestesiante.

Que significado tem tudo isso?

Como a gente escuta, ler, assimila, entende, recebe e vive no meio de tudo isso, na condição de discípulos de Cristo?

É certo que precisamos pescar diferente…

Os desafios são, relativamente, modernos e exigem respostas pós-modernas…

Como podemos iluminar o caminho?

Como resgatar o positivo que há no meio de cada um destes desafios?

Qual poderia ser a minha, a sua, a nossa atitude?

E por que o silêncio e a pouca geração de debate e reflexão profunda?

Em cada situação é preciso pensar:

Posso ajudar? Como?

E se não posso ajudar, qual seria o caminho para não entorpecer nem atrapalhar, sem ser indiferente, alheio ou acomodado?

Qual seria o caminho mais coeso e menos prejudicial?

Como fazer pontes para proteger a vida, a dignidade, e trilhar na justiça para chegar ao bem comum?

O que fez Jesus e o que fizeram os profetas em contextos semelhantes?

E agora, como ser, continuar e fazer, neste contexto e neste lugar?

O chamado é para um povo, num tempo e lugar.

É preciso uma experiência espiritual profunda. Precisamos ser ainda mais místicos;

Fazer com constância e ritmo um recolhimento orante que leve a um encontro transformador com Jesus para atravessar as portas fechadas e fazer um caminho com sentido, coerência e muito valor. É necessário abrir a inteligência, passar por uma conversão de sentido.

Gerando a paz que não está nos livros e nem é aquela que tudo parece tranquilo e calmo.

É preciso viver com firmeza, desprendimento, alegria e a autenticidade, hoje, do mandato do Evangelho-Amor, fortalecer as comunidades. É preciso falar mais sobre estes temas, dialogar e conversar mais sobre a vida, o que passa ao redor, unir as forças, prevenir o que pode ser preventivo, proteger e fortalecer a Família, investir muito na família porque ela é a plataforma e célula-mãe. Viver, praticar e promover assimilando atitudes de perdão, reconciliação, misericórdia, tolerância.

Quem não investe em cultivo do perdão, cultivo espiritual e alfabetização emocional e racional impõe para si o aumento de orçamento para seus encontros clínicos, médicos e hospitalares.

Quem não investe em educação, faz orçamento para construir muralhas e cárceres. É necessário viver em permanente União prática com Deus. Permitir ser conduzido pelo dinamismo do Espírito Santo, com ele nada é estático, urge esvaziar de si tudo o que não é Deus.

É oportuno permitir ser encontrado por Jesus na ação e encontrar o sentido da vida na profundidade do interior de Jesus em ação.

E, tu, o que diz, pensa e faz?

Quando?

Onde, com quem e por que faz aliança?

Caminhemos juntos…   

Recebam um grande abraço🤝🏻

Pe. Leonardo, CSSp

(Léo)

Oscarlos Teixeira

Oscarlos Teixeira

Governador Valadares - MG, Paróquia Nossa Senhora de Lourdes.

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