Carta aberta do Provincial do Brasil no mês vocacional

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Caminhando Juntos: Misericórdia & Justiça

Carta aberta do Provincial do Brasil no mês vocacional

Meu Precioso Irmão,

É verdade que as sequelas da Covid-19 atingem a todos e, isso nos inclui, como religiosos missionários consagrados, fazendo-se cada vez mais necessário conversar, aceitar ser acompanhado, acolher as situações de cada um e, fazer um processo de elaboração e ressignificação da vida, missão e trabalho – considerando o tempo pandêmico onde aumentou a desigualdade social, os dramas psíquicos e até suicídio de padres.

O filme “Somos Todos Iguais” de Michael Carney, lançando em 2017 na Alemanha, do livro editado em 2008, baseado em fatos, ajuda a refletir um pouco mais sobre os dramas do cotidiano, a iminência de morte por doença e da violência interior, consequente aos traumas do decorrer da vida, o que leva, inclusive, a refletir sobre o que nos move e nos faz pensar quando damos um prato de comida a alguém que consideramos menos favorecido, marginado ou excluído – resgatando sentido, valor e razão de gestos.

    E, tomando o caso da falta de alimento, é verdade que o prato de comida, embora sacie a fome, não muda a situação, porém, faz-nos perceber e dizer, em autofalantes, que “o outro não é invisível” e, que é muito incrível o que um pouco de atenção, de carinho pode fazer e onde o amor pode levar, reduzindo orgulho, injustiça e arrogância.

    Entre sorrisos, orações, lutas e ações, em cada religioso não há somente um consagrado configurado em Cristo glorioso, mas há também um homem aflito, muitas vezes ferido, derramando sangue por dentro, enfrentando sofrimento, dores, obstáculo, desafio, carregando uma cruz pesada com herança e carga histórica de dramas humanos – mas lembre-se que não estás sozinho, que você é amado e muito precioso.

Por favor, continue a vivenciar o bem, mesmo sem saber onde vai parar e onde isso vai te levar. Ame com carisma, vocação e paixão espiritana!

    Neste mundo – tão contraditório, tão diferente e tão igual – mantenha a esperança, a fé, a liberdade e o amor.

Não apague/extinga o Espírito (1 Tes 5,19).

Agarre a tocha olímpica e mística da vida de esperança e profecia missionária e, continue a carregá-la, mesmo se não houver medalha!

    Não posso deixar de mencionar, com tristeza e preocupação, o cenário atual brasileiro de crise hídrica, de eco-devastação, de vergonhoso conflito político-governamental onde os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário se digladiam, e alguns, negligenciam as ações, atingindo o coração, o estômago, a mesa, a cozinha, o bolso, o teto, a segurança, o trabalho e a saúde de cada cidadão, especialmente os mais pobres e fragilizados. É um contexto pandêmico e, politicamente, polêmico.

Estou aqui lembrando-me do que disse Cícero na obra “Dos Deveres”, 4 décadas a.C. e, que se faz necessário na atualidade. E, é também por isto, que vos exorto a continuar palmilhando e delineando o itinerário missionário e testemunhal com estes princípios e deveres sobre os quais escreveu Cícero, ou seja, que cada um siga preservando o respeito, a verdade, justiça, ética, amizade, temperança e a essência da utilidade da honestidade e da Vida digna. E toda boa prática e bom testemunho se convertem em escola e chamado vocacional.

Esta boa prática é também uma vigilância que nos chama a um permanente discernimento para ter, na atualidade, critérios ainda bem mais claros para iniciar, conservar ou descontinuar uma missão, de acordo com o nosso carisma, tradição e vocação. Qual é o chão e os critérios que definem a missão espiritana? (cf. RVE 55).

Irmãos, fiquemos mais atentos aos impactos dos dinamismos culturais, econômicos, sociais, executivos, legislativos, jurídicos e religiosos dos ambientes em que estamos, onde servimos e trabalhamos.

Nestes meios, estejamos com uma capacidade reavaliativa dos compromissos; analisemos com muita abertura, refletindo com as lideranças, escutando as pessoas, as comunidades e, principalmente retirando (caso ele exista) do centro da missão espiritana ópio, carreirismo, roupismo, fuga mundi e o clericalismo no ministério sacerdotal como zona de conforto, de status e de segurança.

E, assim nunca falte entre nós, espiritanos, paixão pela missão, equilíbrio saudável entre atividades pastorais, trabalho intelectual/formativo/administrativo e oração, e, de igual modo o desejo de dialogar, escutar e trabalhar em equipe, inclusive em colaboração com leigos, na alegria de ser missionários (cf. RVE 53).

Abramo-nos mais à vida religiosa missionária espiritana de serviço-missionário-profético integrado, dialogal, diminuindo relativismos, indiferenças, parcialidades, preconceitos e injustiças.

Unidos pela Vida, Caminhemos Juntos com quem não foge da sua mortalidade!

Pe. Leonardo da Silva Costa, C.S.Sp.

Provincial/Brasil

 baixe a Carta em PDF.Carta Aberta do Provincial – Agosto 2021

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