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Gratidão por seu SIM e Ministério Sacerdotal

CONGREGAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO
Caminhando Juntos: Caridade & Justiça

“Irmãos, procurai com mais diligência consolidar a vossa vocação e eleição, pois, agindo desse modo, não tropeçareis jamais.” (2Pd 1,10).

Meu querido irmão:

Presbítero,
Bispo,
Escolástico candidato ao Sacerdócio,
Religioso,
Irmã/o leiga/o,

         Hoje, comemorando o dia do Sacerdote, agradeço por sua Vida, seu ‘Sim’ generoso, compromisso, testemunho, pertença e Vocação.

Pe. Cláudio Poullart des Places – Fundador da Congregação do Espírito Santo (27.05.1703)

Minha prece e reverência aos padres já falecidos; solidariedade, oração e proximidade terna aos abatidos que enfrentam dificuldades de diferentes naturezas e, sentem mais agora o peso da Cruz.

Lembro-te que não estás só – não duvide disso! Coragem! Não tenhas Medo! (Mt 14,27) E se ele (o medo) existir, enfrente-o, mas já não sozinho, segura não mão de Jesus estendida imediatamente a ti. (Mt 14,31)

Agradeço, hoje, pelas mensagens, orações, expressões de carinho e amizade de tantos leigos, leigas, irmãos, irmãs, colegas e amigos! Muito obrigado mesmo!

Na ocasião dos festejos do dia do Sacerdote e do mês vocacional, com a intercessão de São Joao Maria Vianney, padroeiro de todos os presbíteros, permita-me refletir e expressar algo mais sobre esta importante Vocação específica.

Se alguma parte, frase ou parágrafo desta Carta atingir seu coração, conserve-o e, se for para animar a alguém ou para robustecer a Vocação, leve-o adiante!

O Sacerdócio Ministerial é um chamado a ser escutado – mesmo quando a própria pessoa chamada acha que Deus não tocaria jamais à sua porta nem seduzira seu coração.

Deus olha, se fixa, checa, conhece bem as fraquezas de cada um – antes mesmo de chamá-lo – sabe por que o chama e que Missão cada um pode realizar compartilhando seus talentos e gerando rede de solidariedade.

A qualquer momento ou altura da vida, em qualquer lugar ou idade, com a história que tiveres – se escutares a Voz suave e sussurrante do Senhor ou se perceberes sinais de um chamado de Deusdiga ‘SIM’ com Liberdade, alegria, generosidade, docilidade e, permita que o Espírito Santo se adiante sempre, conduza tudo e o Grande Oleiro molde este frágil barro – mesmo quando poderá gritar de dor no processo – que às vezes demora – ao ser amassado, quebrado, entortado, moldado e refeito por Deus – esteja confiante de que o Vaso a ser escolhido e apresentado pelo Oleiro será uma pérola para o mundo e para os que o Padre encontrar ou aos que a ele se achegarem.

Ser Sacerdote é oferecer o Pão de Deus que farta, sacia, desperta, capacita, abre os olhos, transforma e cura. É proximidade. É não deixar alguém partir, ir-se com fome (Mt 14,16). É promover a Partilha. É importar-se com os milhões que passam fome no mundo e os milhares que estão sofrendo e, que se nada for feito, morrerão ainda hoje por falta de pão. É olhar e agir com coerência e responsabilidade contando com o apoio da comunidade local, pois há tantas situações e desigualdes bem pertinho na vizinhança.

Ser Sacerdote, hoje, é ajudar a agir na perspectiva de que tudo está estreitamente interligado no mundo – conectado (LS). É ser também guardião da Vida do irmão (Gn 4,9).

É ser Discípulo que Escuta, Aprende, Anuncia a Boa Nova, a Boa Notícia que é o Reino de Deus. É transformar-se pela Oração em pura Compaixão. É ser canal, instrumento para conduzir o povo ao grande Pão de Vida – que não termina – e que vai além do pão material – o próprio Cristo. É servir e ser Serviço. É ser amor para todos, incondicionalmente. É entrega, é comunhão e unidade. É amar, é escutar; é ofertar sem acumular nem reservar nada para si – nem a própria vida – é ser canal de ação, é caminhar junto e servir a todos como Cristo.

O sacerdote é também místico, esperançado, justo que agrega bondade, firmeza e fé num único Deus. É exemplo de proximidade e amizade com Cristo – com quem dialoga abertamente e com confiança em cada situação. É um “apóstolo da alegria” (Papa Francisco).

Este chamado pode chegar ao pecador que aceita subir a escada gradual da santidade renunciando ao desrespeito pela Vida,

denunciando com o próprio testemunho, a egolatria, o materialismo, o acúmulo, o hedonismo, a indiferença e o relativismo que põem a economia, o ter e o poder no centro, excluindo a pessoa humana, deixando-a ameaçada e desprovida de dignidade, exposta à ilimitadas crueldades e mortes.

O Sacerdote responde ao chamado com uma liberdade que não oprime nem reprime mas conduz a uma saudável entrega de si mesmo, deixando de lado seus planos, ilusões e quereres pessoais a fim de que quando fale, aja, caminhe, responda, pense e viva – seja visto nele o próprio Cristo – modelo de vida – ‘em saída’ – presente no meio da comunidade.

Assim como ‘não há Santo sem passado’ e, na imensa misericórdia de Deus, jamais há ‘pecador sem futuro‘, o Padre é tomado de um certo mundo, contextualizado, real e concreto, para ser polido, ensinado, podado e, ao mundo voltar para santificá-lo (Hebreus 5,1-2). Ele está no mundo, mas sem pertencê-lo exclusivamente. E, adquire conhecimento e prudência para viver como Pastor segundo o Coração de Deus (Jr 3,15).

Nenhum homem é Sacerdote por merecimento (Ef 2,4-5) nem é fecundo no exercício ministerial vocacional sem delinear a vida na perspectiva de fé, ou agindo com cálculos racionais ou ilusões humanas objetivas – tudo é Graça, Amor e Misericórdia e Mistério de Deus. É VOCAÇÃO. E as razões de Deus são seguíveis, mas nunca explicáveis – ou arrisca tudo ou nada.

Pe. Francisco Libermann (11º Superior Geral 1848-1852)

É crer sem ver – é seguir sem a certeza do que encontrará ao partir – sem prever o que lhe acontecerá (Mc 9,23). Ele vai e caminha convencido de que não está só e, que ninguém nem nada poderá separá-lo de quem o chamou (Rm 8,35-39).

Relaxar ou distanciar-se deste conhecimento, desta intimidade, amizade e permanente diálogo com Cristo – seria um grande perigo.

Nenhum Sacerdote persevera na vocação por mero capricho. Só é possível, quando confia, reza (Lc 6,12), contempla, escuta, é simples, é CARIDOSO, põe a sua vida na palma da mão de Deus, quando é verdadeiro, tem mística, faz silêncio, sabe retirar-se e calar para fortalecer-se, se arrepende, é resiliente, é aprendiz, leal, acolhedor, permanece no processo diário de conversão, procura crescer em sabedoria e discernimento, fideliza a amizade com Cristo, se entrega, incondicionalmente, ao Amor dos amores – Caminho – Verdade e único doador de Vida abundante.

Esta Vocação específica desinstala. Se for vivida com responsabilidade não é tão simples, cômoda nem fácil. Mas asseguro que é muito bom ser Sacerdote. O seria e diria ‘Sim’ em mil vidas de novo se as tivesse. É uma Benção divina e uma nova aliança de comunhão e amor.

Quando uma pessoa diz ‘SIM’ e há convicção objetiva e subjetiva; quando não olha para trás nem lamenta o que deixou ou o que poderia ter feito ou sido – só olha para a Luz, para o Farol que clareia o caminho – segura na mão de Deus e por nada a solta (Is 41,13) – este sacerdote na “noite escura” com a alma em “vivas ânsias inflamada…pela secreta escada, disfarçada”, continua vocacionado, mesmo quando a ferida arda e a dor pareça insuportável – o Presbítero abraça mais ainda a Cruz – a Cruz de Cristo e, pouco a pouco, já nem importam os pés machucados, as chagas abertas, pois, o Pai celestial o põe nos ombros, Cristo o segura, o Espírito dá pulmões e a caminhada flui em harmonia perseverante e, ninguém é capaz de roubar-lhe a esperança.

O Sacerdote testemunha contra qualquer inercia, indiferença, omissão e não se deixa vencer pela tentação de privilégios nem em casa se esconde em dias de chuva, por medo de perseguição e tempestades, consequentes à sua ação e vida ministerial.

Sacerdócio: estar junto com ternura!

É estratégico e prudente, mas não covarde nem medroso ou apavorado naquilo e onde se requer uma voz, uma presença e ação profética (Js 1,9). Ele sabe que Deus está por perto e não leva a vida indiferente à sua presença.

Seu olhar é para o Cristo sofredor e vencedor estampado no rosto de cada pobre, enfermo, oprimido, excluído e/ou marginado. Se comove e assume, como seu, o sofrimento das pessoas na realidade em que ele serve. Dá e promove o testemunho de caridade, de solidariedade e assume junto com as pessoas os dramas e sofrimentos humanos.

A prioridade e o centro são Cristo com todas as vontades e chamados do Senhor. Cristo é a primeira e última Luz para quem o Sacerdote olha.

Inspira-se na docilidade de Maria ao Espírito Santo. Diz Sim para Deus naquilo que parece impossível humanamente (Lc 1,38).

O Padre esforça-se, alimentado pelo Pão da Palavra e da Eucaristia, para que Cristo complete na sua vida sacerdotal ministerial o que o próprio Senhor começou e, demonstra incessantemente sua disponibilidade: Eis-me aqui, Senhor! {Is 6,8}

Agradeço por cada vocação, por cada sacerdote, cada Bispo – por tanto bem feito e por muito amor espalhado.

Peço orações, não só pelos sacerdotes, mas por cada pessoa humana nesta terra.

Permaneçamos unidos aos leigos e às comunidades que muito fortalecem e nutrem a vocação ministerial sacerdotal.

Continuemos ajudando a suscitar mais vocações leigas, ministeriais, religiosas e sacerdotais.

Exorto a todos a perseverar no caminho: Entrega-te; Confia muito e Deus te carrega🤲🏻.

Rezemos uns pelos outros.

Aos Pés da Virgem Negra de Paris foi fundada a Congregação do Espírito Santo em 1703

 

Portanto, irmãos, ficai firmes. Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu a eterna consolação e a boa esperança pela graça, animem os vossos corações e vos confirmem em tudo o que fazeis e dizeis em vista do bem.” (2Ts 2,15-17)

Felicidades a todos🤝🏻.

“O Senhor te abençoe e te guarde! o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja benigno! o Senhor mostre para ti a sua face e te conceda a paz!” (Nm 6,24-26).

 

Um enorme abraço

Caminhando Juntos: Caridade & Justiça,

Pe. Leonardo da Silva Costa, C.S.Sp.✍🏻
Congregação do Espírito Santo
Provincial da Província do Brasil
Coordenador U.C.A.L.
{União de Circunscrições espiritanas da América Latina}

 

Carta na íntegra, clica aqui Carta do Provincial aos padres